Home > as cats > SHAIANA BALLIN

Meu nome é Shaiana (Shai, porque a vida já é complicada de mais pra ter nome difícil!), tenho 30 anos e essa é a segunda vez que conto minha história aqui… Minha relação com o câncer (sim, criamos uma especie de relação com ele!) começou a pouco mais de uma ano. Em agosto de 2015, no banho ou deitada na cama, não lembro bem, encontrei um “carrocinho” no seio. Médico, ecografia, biósia, diagnóstico, choro, medo e vontade de viver. No dia primeiro de outubro iniciei o tratamento. Foram 8 sessões de quimioterapia, muitos remédios e uma chance de recomeçar. Doze dias depois da primeira quimio o cabelo parecia que pulava da minha cabeça (que sensação meu Deus!).

O tratamento foi tranquilo, o tumor sumiu e eu tava pronta pra próxima etapa.
Foi nessa época que tive uma conversa muito séria com o oncologista. Na realidade foi muito mais esclarecedora do que séria: “Shaiana, o tipo de câncer que tu tem é muito agressivo, ele tem 65% de índice proliferativo.”
Em outras palavras: “Shaiana, tu é uma bomba relógio!”
Acho que esse dia foi um dos piores, um dos dias mais marcantes, daqueles que a gente sai modificado e que nos lembraremos para sempre, não importa quanto tempo passe. Dias em que sem anestesia nenhuma somos apresentados a realidade, a realidade que nos faz crescer. E seguimos.
Seguimos o tratamento: 35 sessões de radioterapia, tamoxifeno, trastazumab… No final de abril de 2016 fui liberada de parte do tratamento, segui apenas com as consultas de revisão… Não existia se quer uma marquinha daquele tumor no meu seio. Eu estava curada.
Na bagagem uma fé inabalável e a esperança do recomeço.
Tão estranho quanto o cabelo caindo, é o cabelo crescendo… Estranho e bom de mais. Aqueles fiozinhos me davam a sensação de que eu nascia de novo a cada dia, sensação de vida nova. Como foi bom me olhar no espelho mil vezes por dia e rir sozinha de felicidade. Minha frase preferida nessa época era “viu que eu já tenho cabelinhos?” rsrsrsrs
Eu carrego comigo uma frase, um pedacinho de uma música que uma amiga me mostrou quando descobri o câncer que diz assim: “mesmo sem entender, eu confio em ti Senhor!”
E foi por essa confiança que não me entreguei quando em agosto de 2016, exatamente um ano depois da primeira descoberta, tive uma recidiva.
Depois de alguns dias com dores fortes na cabeça e alguns exames, o segundo diagnóstico: metástase cerebral.
Um ano depois, por ironia do destino, sozinha novamente, peguei o exame, entrei no carro e desmoronei. 15 minutos de choro, desespero, pesquisa no google, socos no volante, muitos palavrões… Tudo exatamente igual a primeira vez.
Liguei o rádio do carro e a música, aquela música tocava… “Mesmo sem entender, eu confio em ti Senhor!”
O médico confirmou o diagnóstico, me disse que dessa vez, pelo local onde o tumor estava (um tal de cerebelo!), seria bem mais perigoso.
Confesso que o medo foi muito maior. Confesso que essa segunda vez foi muito pior. Talvez por ser um órgão vital, talvez por acreditar que não aconteceria nunca mais, mesmo sabendo da possibilidade, não sei, mas foi pior.
Iniciamos o tratamento em outubro (ah novamente, outubro!). Foram 10 sessões de radioterapia na cabeça toda e uma quantidade absurda de corticoide.
Na última sessão  senti aquela “dorzinha de cabelo”… Sim, cabelo dói! E só quem já teve o cabelo caindo por conta de um tratamento vai entender!
Naquela época eu estava radiante com meus cabelos novos… Meio encaracolados, meio lisos, alguns fios brancos, cor diferente. Algumas vezes até fiz chapinha só pra rir.
Na primeira vez, quando eles começaram a cair eu raspei e deu, no mesmo dia. Dessa vez demorou quase uma semana pra ter coragem. Mas fiz e tô aqui, carequinha novamente.
Milhões de lenços e alguns chapéus depois eu continuo andando careca pela rua. Me acostumei muito mais rápido com os olhares do que com os acessórios. As pessoas perguntam como me sinto andando por ai sem cabelos… Ah se elas soubessem o quanto amo a minha careca!
Ah, sobre o tumor? Não tem mais. Ainda não refiz os exames, preciso esperar um tempo pela quantidade de radiação. Mas tem um cara, que cuida de mim todos os dias que me disse que por eu ter tanta fé  e por não desistir nunca, eu seria presenteada com uma vida longa e feliz!
É aquele Senhor da música sabe, aquele que eu confio!
Nada disso foi fácil. Não existe um dia se quer na minha vida em que eu deixe de pensar nisso. O medo, a insegurança, tudo isso faz parte da vida de quem descobre um câncer, mas tu precisa saber onde, em que lugar dos teus dias tu vai colocar isso. E eu coloquei num lugar junto com a fé e a vontade de viver.
Agradeço todos os dias pela vida.
Nunca deixei de sorrir, nem nos piores dias. Descobri que meu sorriso tem um poder incrível! Ele atrai coisas boas!

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