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RENASCIDA APÓS CURAR CÂNCER DE MAMA, SABRINA PARLATORE CONTA SOBRE SUA LUTA

Por Maurício Targino

Fonte: ESPNW

Quem vê o andar confiante e o semblante otimista de Sabrina Parlatore dificilmente imaginaria que menos de dois anos atrás a apresentadora e cantora viveu o maior pesadelo de sua vida: o câncer de mama. E não apenas o venceu como adquiriu uma nova percepção sobre si mesma e o mundo.

Dona de hábitos saudáveis como exercícios físicos regulares e alimentação balanceada sem histórico da doença na família, ela recebeu o diagnóstico em maio de 2015. Apesar, do susto, não se abateu. “Eu já estava meio preparada, já tinha feito a biópsia e sabia que a chance era grande”, conta ela à espnW Brasil. “Então foi um misto de susto e de força. No primeiro momento perguntei ao médico se eu ia morrer”, continua. “Como ele respondeu que não, que tinha tratamento, então eu disse ‘beleza’”.

Rosto bastante conhecido graças a duas décadas de trabalho na TV, Sabrina optou por se isolar durante o tratamento. “Sempre tive cuidado em não expor minha vida pessoal e em nenhum momento pensei em tornar isso público”, afirma. “E foi muito bom ter ficado na minha, porque o tratamento era muito forte e eu tive que me concentrar. Só a família e alguns amigos sabiam”.

Sabrina e sua mãe, figura fundamental durante toda a sua vida, principalmente nessa fase (Reprodução Facebook)

Sabrina e sua mãe, Márcia (Reprodução Facebook)

Ela também diz ter contado com a sorte para se manter longe dos holofotes. “O local em que eu fiz o tratamento não me deixava muito exposta, eu chegava discretamente e fazia o tratamento em uma suíte sem ninguém”, conta. “De vez em quando alguém perguntava ‘você não é aquela menina da TV?’, mas nada demais”.

A vida durante o tratamento

Sabrina aponta a quimioterapia como o período mais difícil. “Foi terrível, e a fama de que é muito agressiva procede”, diz. “Cada um sente de um jeito, e eu senti bastante. Enjoo, dor de cabeça, cansaço descomunal, insônia… a pele fica fina, não pode tomar sol, qualquer coisa corta”, prossegue. “E o intestino e o estômago ficam sensíveis, tem que tomar remédio pra tudo”.

A família exerceu um importante papel, mas Sabrina faz questão de destacar sua mãe, Márcia Tauil. “Ela sempre foi a figura central e não poderia ser diferente”, conta. “Ela me acolheu, cozinhou para mim, deu muita força psicológica naquele momento”.

A música sempre esteve presente em sua vida e nesse momento não foi diferente (Reprodução Facebook)

A música foi fundamental no processo de tratamento e recuperação (Reprodução Facebook)

A música também foi uma grande aliada nesse período. “Sempre esteve presente na minha vida. Eu cantava para mim mesma, me dava força e me tranquilizava”, conta. “Também fiz alguns shows entre uma e outra sessão de quimio”, continua. “Ninguém sabia pelo que eu estava passando, eu colocava a peruca, subia no palco e o público não percebia”.

Curiosamente, foi uma canção fora do seu repertório habitual que acabou se tornando um símbolo dessa época. “A letra de ‘Começar de Novo’, do Ivan Lins, me tocou muito”, diz, e logo solta a voz: “Começar de novo e contar comigo… vai valer a pena ter amanhecido…”.

Vistos hoje, os versos da canção fazem todo o sentido. “Passei a ter muito mais fé na vida e confiar mais em mim”, conta. “Estou feliz agora e mais tranquila do que antes, tentando aproveitar mais coisas, indo atrás do que me faz bem e largando aquilo que não me faz”, completa.

O papel do esporte

Sabrina correndo após o tratamento que a engordou 5kg de inchaço e gordura (Reprodrução Facebook)

Sabrina correndo após o tratamento (Reprodução Facebook)

No começo do tratamento, Sabrina conseguiu manter parte de sua rotina de atividades físicas, com um pouco de musculação e exercícios aeróbios. “É muito legal falar sobre isso, porque antes recomendava-se ao paciente ficar quieto para poupar energia durante o tratamento”, diz. “Mas depois se viu que o esporte ajuda na recuperação, por liberar endorfina, e isso ajuda a aguentar o tranco”, prossegue. “Então eu ficava dentro do limite, e meu rendimento caiu muito! Não conseguia fazer nem metade do que fazia antes”.

A cirurgia para retirada do nódulo a afastou de uma de suas atividades preferidas: a natação. “Eu não podia fazer os movimentos”, conta. “Então quando pude voltar a nadar, foi uma espécie de iluminação, mexer o corpo inteiro, esse tipo de coisa”, segue. “Passei a prestar ainda mais atenção ao que acontece com meu corpo. Sempre fui muito saudável em tudo, para você ver que o câncer não escolhe”.

As origens da doença importância da conscientização

Aos 23 anos, Sabrina teve sua primeira crise de síndrome do pânico. “É um fantasma na minha vida, e te digo que não sei o que é pior, essa dor na alma ou o próprio câncer”, conta. “Acho até que veio do meu estado emocional, dos estresses que eu já passei na vida. O pânico não mata diretamente, mas pode fazer isso por outras vias”.

Superado o câncer, Sabrina se sente com a missão de alertar sobre os perigos da doença. “Durante o tratamento, percebi que passo uma imagem de credibilidade, então comecei a usá-la para algo bom, já que tinha usado para outras coisas e não sabia o porquê”, diz ela.

Ao notar que as pessoas a recebiam isso bem, Sabrina resolveu falar ao vivo em um programa de rádio. “Comecei a receber mensagens de mulheres do Brasil dizendo que eu salvei a vida delas, que foram ajudadas ao ouvirem meu depoimento”, conta. “Se informem, questionem o médico, corram atrás. O que aconteceu comigo poderia ser evitado se o médico não ignorasse um nódulo de 1,5 cm de diâmetro, e era do tipo mais agressivo. No ano seguinte, estava com o dobro do tamanho”, completa.

sabrina parlatore materia

Sabrina Parlatore vê como uma missão pessoal conscientizar outras mulheres

“Ninguém conhece melhor o corpo do que a própria pessoa”, diz Sabrina. “Alguns médicos não são tão atenciosos e atualizados, e nem sempre é por culpa dele”, continua. “Então, mulheres, prestem atenção aos sinais, façam os exames preventivos para não passarem esse sofrimento”.

Por fim, Sabrina Parlatore também recomenda cuidar da mente e da alma. “Precisamos resgatar nossa essência e fazer coisas boas para nós mesmas”, pede. “Nossos corpos foram moldados há milhões de anos e não estão aguentando mais alimentos industrializados, poluição, pressão de trabalho e toda essa loucura atual”, finaliza.

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