Home > as cats > RAQUEL FERREIRA

Olá!

Acabo de me inscrever no site como uma CAT! Ainda não tinha parado para escrever meu relato todo. Mas acho que chegou a hora.
Sou de São Paulo, tenho 30 anos. Em abril 2014 me mudei para Recife por uma oportunidade profissional. No inicio de 2015 senti algo diferente na mama direita, procurei por um médico em Recife que me pediu um ultrassom de mamas que nada acusou. Esse médico então, trocou minha pílula e me deu um remédio manipulado, acreditando que se tratava de um espessamento devido a hormônios.
 Em Agosto de 2015 vim a São Paulo de férias e resolvi ir ao meu ginecologista de costume só por desencargo de consciência. Ele me examinou e na hora pediu uma mamografia. Nesse momento o medo começou a me pegar.
Quando levei o resultado da mamografia era meu último dia de férias e em poucas horas eu voaria de volta a Recife. Meu ginecologista abriu o resultado, disse que eram alterações graves e que eu não poderia voltar para Recife. Esse foi o primeiro choro de desespero.
 Na hora ele pegou o telefone e agendou uma consulta com um mastologista amigo dele.
 Tive que ligar para o hotel onde trabalhava em Recife e dizer que eu não podia voltar, mas que eu não sabia ainda o que estava acontecendo.
 Foi um longo final de semana até chegar segunda, consulta com mastologista. Ele me examinou, viu a mamografia e me encaminhou na hora para um laboratório para fazer uma biópsia. O desespero começou a aumentar, pois eu via a preocupação dos médicos em agendar e agilizar tudo que possível.
 A biópsia é um terror, chorei o tempo todo. De medo, preocupação, dor.
 Nos dias seguintes tudo ficou muito dolorido. Quando voltei ao mastologista com o resultado ele disse que estava um pouco inconclusivo, que teria que pedir uma análise mais avançada.
Nesse momento entendi que havia algo errado e fui procurar um hospital especializado – AC Camargo. Não tinha referências, então agendei com o primeiro médico que estivesse disponível. Mais uma vez, os resultados da mamografia os preocuparam e pediram uma nova biópsia para ter mais certeza. Além disso, pediram mais um milhão de exames do corpo todo.
 Após dias de agonia, exames, mais dor de biópsia, sem poder voltar para minha casa, meu trabalho, em 22 de Setembro o disgnóstico chegou: carcinoma maligno de mama com possível metástase hepática (o pequeno pontinho do fígado só foi confirmado depois de uma outra dolorosa biópsia). Meu tipo era hormonal com Her 2 positivo e receptor de estrógeno positivo.
 Logo que sai do mastologista no AC Camargo ele me indicou ir direto para uma consulta com Oncologista. Minha enfermeira anjo me ajudou com um encaixe e foi aí que por acaso conheci meu outro anjo, o oncologista.
 Meu caso se enquadrava no protocolo cleópatra, que segundo meu oncologista era um dos mais modernos do mundo. Pertuzumabe+Trastuzumabe (ambos anticorpos, medicamentos alvo, que não dão efeitos colaterais) + Docetaxel (esse era o pancadão que faria meu cabelo cair, imunidade baixar etc etc etc)
 A notícia chegou, o tratamento começaria na semana seguinte e eu não teria mais cabelos em 20 dias.
 Ainda assim, busquei um outro médico para ter mais opiniões. Esse indicaria uma cirurgia e posterior tratamento, mas optei por dar seguimento ao protocolo do AC Camargo.
 Nesse momento tive que pedir para a empresa onde eu trabalhava dar entrada no INSS.
 Meu mundo desabou, chorava tanto que ficava sem ar, dores malucas e psicológicas começaram a surgir….não conseguia mais dormir sozinha. Foi quando pedi para dormir na cama com minha mãe e meu pai foi para meu quarto. Medo, pânico e desespero tomaram conta de mim. Com minha mãe eu dormi por 5 meses. Aliás, meus pais tiveram papel principal no meu tratamento. Estiveram presentes em todas as consultas, exames, químios, choros, alegrias, medos. Foi uma demonstração de amor incondicional. Gratidão eterna por eles. Depois de alguns dias de choque comecei a me restabelecer. Conversei muito com uma garota da minha idade, que a equipe do hospital me apresentou,  que já estava finalizando o tratamento e estava muito bem. Isso me deu forças para começar pensar e me organizar. Como seria a melhor forma de passar por tudo isso?
Primeiro eu decidi que iria vencer o câncer! Segundo busquei ajuda espiritual, passei a frequentar minha Igreja todas as semanas e um centro espírita que uma amiga me levou. Terceiro, comecei a fazer terapia. Assim eu tinha a nítida sensação que estava cuidando da mente, alma e corpo  e tudo daria certo. Como não podia trabalhar, decidi por voltar meu curso de Espanhol para passar o tempo e me enchi de programas sociais (almoços, jantares e chá da tarde com os amigos).
Decidi também que iria falar abertamente sobre o assunto com todos e usar minhas redes sociais para contar o que estava acontecendo, mas sempre de uma maneira leve, positiva e animada.
Diferente de algumas pessoas eu tive o apoio incondicional dos meus amigos. Todos se tornaram ainda mais presentes em minha vida. E aqueles que eram distantes não paravam de mandar mensagens de apoio e carinho. Pois bem, me indicaram uma touca importada de elastogel que poderia evitar que eu ficasse completamente sem cabelos. Na mesma hora comprei pela internet e uma amiga que estava nos EUA no momento me trouxe. Usei a touca em todas as químios. Ela tinha que ser congelada com gelo seco e usada enquanto tomava o remédio. Meu cabelo caiu muito! Algumas falhas apareceram, mas conseguia disfarçar bem com uma faixinha ou tiara. Não fiquei em nenhum momento sem cabelo.
Fiz no total 6 sessões de químio. Com intervalo de 21 dias. A primeira além de ficar quase 6h aguardando a aprovação do convênio, era uma grande apreensão. Eu sequer sabia como se tomava uma quimioterapia. Logo em seguida da primeira químio fiz a bendita biópsia do fígado e trintei. Sim, passei meu aniversário de 30 anos quase de cama, com muita dor! Na segunda, arrasei. A terceira me derrubou. Minha imunidade caiu demais e fiquei 1 semana internada. Nessa semana, eu tinha minha primeira perícia de INSS agendada, como perdi tive que reagendar para Fevereiro. Depois disso passei a tomar na próximas sessões também uma injeção que estimula a medula a produzir mais glóbulos brancos de defesa e não deixa mais a imunidade despencar. Nesse momento, meados de Novembro de 2015, meus amigos de Recife fizeram minha mudança para que eu parasse de pagar aluguel desnecessariamente. Sim, cuidaram de TUDO. Empacotaram, embalaram, enviaram meu carro. Sou eternamente grata! Em Janeiro fiz a última químio. Nesse dia fui tomada por uma felicidade sem fim que nunca tinha sentido na vida. No início de fevereiro, mas uma notícia incrível: no meu caso não se recomenda cirurgia! A partir de então entrei numa fase do tratamento que se chama hormonioterapia na qual ainda estou. Tomo Tamoxifeno diariamente (e pelos próximos 5 ou 10 anos) para bloqueio hormonal e continuo com o Pertuzumabe+Trastuzumabe  a cada 21 dias pelo menos até Setembro. Além disso tem uma injeção de Zoladex a cada 3 meses. Nesse momento pude ir ao INSS dar entrada E saída do meu benefício. Que alegria! Voltei a trabalhar no final de Fevereiro, mas agora em São Paulo de novo. Ainda moro com meus pais, mas já posso dormir sozinha no meu quarto.
Me alimento extremamente bem e estou voltando com a atividade física. Assim, no final do dia tenho a sensação que cuidei do meu corpo e faço diariamente tudo que posso para ele ficar saudável. Continuo indo à Igreja toda semana e a frequentar o centro espírita. Além disso a terapia é sagrada, semanalmente.
No início de Março pude finalmente voltar à Recife para me despedir dos meus amigos e agradecê-los por tudo. Além disso também fui ao Rio de Janeiro com meus pais. Essa foi uma promessa e pedido que fiz a eles no começo de tudo. Fomos ao Cristo e ao Santuário da Medalha milagrosa agradecer.
Nessa primeira semana de maio fiz exames e fui à consultas. Os resultados são “incríveis! Melhor impossível” segundo meus médicos.
Nesse momento estou extremamente feliz de poder contar minha história e por estar me sentindo tão bem. Me sinto pronta para ajudar outras CATS!
Abraços,
Raquel

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