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Minha travessia
Chamo de “Travessia” os momentos que estou vivenciando, temores e esperança se alternam e tenho que fazê-la apoiando-me mais fé na esperança. A fé acima de tudo é ela que faz com que eu me levante a cada manhã e continue o caminho.
Receber um diagnóstico de um câncer é cruel, é doloroso é triste parece mesmo que é o fim da linha.
Eu me chamo Nádia, sou professora, casada, 48 anos, mãe de dois meninos um de 11 Thiago e outro de 14 anos Felipe que são minha inspiração de vida, um marido maravilhoso que amo muito. Muitos planos e muita coisa para viver. Final de julho/15, fiz uma mamografia para controle, havia uma pressa e um pouco de ansiedade porque no ano anterior não havia feito devido a correria da vida. Mas era rotina, estava tudo bem, acreditava.
O resultado conferido por mim tinha alguma coisa errada e ainda por cima estava escrito “anormalidade suspeita”. Mas eu tinha muita coisa para resolver, aquilo não era nada, pensei, guardei a mesma é só em setembro resolvi verificar o que era aquela a anormalidade. Fiz um ultrassom e posteriormente uma punção que confirmou o diagnóstico de câncer de mama. O chão fugiu, li o resultado e o meu mundo desabou… chorei muito, muito, desaguei de tanto chorar revoltei e perguntava a Deus porque eu? O que eu fiz para merecer esse castigo? Porque você pensa que é mesmo um castigo. Perdi a noção do que fazer.
Eu estava sozinha, meu marido fazia um curso em outra cidade, meus irmãos longe, meus pais já idosos, só eu e meus dois filhos que, naquele momento, eu não queria que soubessem e nem que sofressem. Aliás eu não queria que ninguém soubesse, não queria que as pessoas tivessem pena de mim ou que me olhassem diferente.
 Segui triste por alguns dias, perdi a fome, perdi a vontade de fazer qualquer coisa. Até que tomei coragem e comecei a desabafar com irmãos, algumas amigas. Consegui um mastologista na capital, distante 480 km de minha cidade, morava em uma cidadezinha do interior de MG, minha terra natal. Ele havia cuidado de minha sogra e foi a melhor escolha que fiz é um ótimo médico.
Começava as idas e vindas à capital para exames, mais punção, risco cirúrgico, enfim a cirurgia foi marcada para o dia 12/11/15. Um nódulo pequeno foi retirado foi feito o quadrante da mama, mais esvaziamento axilar com um linfonodo contaminado. No dia 15/11 quando retirei os curativos, chorei muito, por ver as cicatrizes, por tudo que estava acontecendo.
As quimios vieram e os cabelos que eu amava se foram, todos os pelos se foram… Fiquei até mais leve. Eles vão voltar eu sei.  Quando a sobrancelha se foi eu realmente fiquei com a tal “cara de minhoca”. E como é difícil acertar o traçado das sobrancelhas, já nem sei mais onde ela era, erro tudo e às vezes fico com um cara de assustada que começo a rir de mim mesma, isso quando ela não sai toda na rua, quando passo a mão sem querer.
Num total de 16 sessões de quimioterapia com as terríveis vermelhinhas e as mais brandas branquinhas fui seguindo em frente. Dias difíceis, dias de superação, dias de procurar forças onde você não imagina que vai encontrar, dias de deitar e ficar quietinha até passar o mal-estar, os cheiros fortes, o estomago ruim e depois levantar dar um sorriso colocar um lenço lindo, um batom , fazer uma caminhada, tomar um solzinho e seguir em frente até a próxima sessão. Com a ajuda de minha irmã tive acesso a vários tratamentos alternativos para amenizar os efeitos do diagnostico no emocional e também os efeitos da quimio, como hipnose, homeopatia, acupuntura, laser terapia, psicólogos, reiki, alimentação mais saudável. Tudo isso ajudou e continua ajudando muito.
Foi a partir de cirurgia que tudo mudou. Encontrei Deus ali sempre do meu lado, ele nunca tinha saído do meu lado, estava o tempo todo cuidando de mim, vivenciei e vivencio o poder das orações que chega de todos os lados de todas as crenças, o carinho de tantos amigos. Conheci relatos e pessoas que passam pela mesma situação. E encontrei forças para seguir… Deus a cada manhã me enche de forças e eu sigo, por mim e por minha família. É claro que existe medo, isso é natural dos ser humano, mas ele não me domina mais, porque existe a fé. Agora vou iniciar a radioterapia  na certeza que a Travessia está sendo feita com um grande aprendizado. Um deles foi que perdi o medo de tirar sangue, eu tinha pânico, foi necessário perder, teve um dia que me furaram 09 vezes para achar um veia e depois desse dia eu perdi 90% do medo rsrsrs. Outro aprendizado foi em relação às cicatrizes, olhar para meu corpo depois da cirurgia era uma cena que me deixava tensa, as pernas ficavam mole e eu não conseguia olhar no espelho, sempre fui muito fraca para essas coisas de machucado, cortes, tirar sangue affff…  Fiquei assim por vários dias, aquele dreno dependurado era um terror! Foi quando li uma frase em um livro que ganhei e que me ajudou muito, então passei a ver as cicatrizes de forma diferente!
Eis o aprendizado !..
“Os indígenas se orgulham de cada cicatriz que possuem. Segundo eles, cada marca representa uma batalha que lutaram e da qual voltaram com vida para contar.  Na tribo, os guerreiros mais experientes são respeitados e admirados por todos; servem de exemplo para os mais jovens.”
Encontrei muita coisa boa na net que ajudaram na minha autoestima, a Quimioterapia e Beleza,ganhei lenços lindos do Banco de lenços, uma peruca maravilhosa da Rapunzel solidária (que vou devolver para ajudar outras pessoas), um Kit maravilhoso do Projeto: Amor Cura, lições de superação, enfim filtrei as coisas boas que fazem bem nesse momento.
 Me senti amada e cuidada pelas irmãs lindas que tenho, por toda a família, pelas primas, pelas amigas, pelas mensagens de força dos meus queridos alunos, os lenços que toda família colocou para me apoiar, os amigos também, os de perto e os de longe! Não imaginava que era tão querida por tanta gente. Fiquei muito feliz e sinto uma gratidão enorme pelo carinho recebido.
Sinto que o câncer veio foi embora e deixou muita coisa boa em mim e para mim.
Nesse tempo criamos um grupo para partilhar algumas vivências, mensagens, carinhos esperança, fé e é claro ele se chama Travessia e lá existem flores lindas!
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