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Olá pessoal, meu nome é Marina De Col Dias Cardoso e vou iniciar relatando a minha história com o final do Livro Quimioterapia e Beleza – Flávia Flores.

Querido diário, vou começar hoje mesmo a contar a minha história… Em 2014 com 22 anos, me formei em nutrição pela Universidade Anhembi Morumbi, fiz estágio em lugares de primeira, fiz vários cursos na área de nutrição clínica pelo Instituto Ana Paula Pujol, estava fazendo cursos de idiomas, estava fazendo pós – graduação em nutrição clínica pelo Ganep e fiquei noiva após 3 anos de namoro. Eu tinha tudo para ser uma profissional de sucesso naquele ano, mas eu não conseguia emprego e trabalhos como nutricionista autônoma não iam para frente e hoje eu entendo o porquê: era o momento de cuidar de minha saúde e de muito aprendizado. Em 2014 eu tinha tosse constante por semanas, cansaço, palidez, perda de peso e mal estar. Fui a um clínico geral e o mesmo me informou que isso era refluxo e ansiedade, mas os sintomas continuavam. Em uma consulta de rotina com o meu ginecologista, relatei os sintomas e ele me orientou a procurar um pneumologista e assim o fiz. O pneumologista solicitou diversos exames, onde fui diagnosticada com asma e apareceu em meu raio x e em minha tomografia um nódulo no meu pulmão direito de 4 cm no formato de uma moeda. O pneumologista então me indicou um cirurgião de tórax e esse cirurgião me indicou a cirurgia para retirada do nódulo e biópsia do mesmo. Por eu ser da área da saúde, eu já tinha uma ideia do que se tratava. Aliás, assim que eu vi o resultado dos exames, eu já sabia do que se tratava. Pensei: como assim estou com câncer de pulmão com 22 anos, sendo que nunca fumei? O que eu fiz nessa vida e ou nas minhas outras para merecer isso? E esse foi o pior dia da minha vida ( quer emoção na sua vida? Abra laudos médicos!).

Li o livro e assisti o filme a Culpa é das estrelas, cortei e doei meus cabelos para uma Ong que faz perucas para mulheres com câncer, li sobre quimioterapia, radioterapia e sobre a minha cirurgia. Queria conversar sobre o assunto, mas acabava discutindo com a minha família que não queria ouvir e falar sobre isso, por que era difícil para eles também.

Quando eu fui internada e enfrentei a realidade, o meu comportamento foi completamente diferente… Fui internada no dia 21/07/2014 (segunda – feira) e eu fiz a cirurgia no dia 23/07/2014 (quarta – feira) a tarde, onde retirei 6 cm do pulmão direito, fiquei com um dreno e fiquei na UTI até receber alta. Meus avós, meu noivo e minha irmã me visitaram uma vez; meus pais me visitavam todos os dias; meu noivo, meus avós e minha irmã ligavam todos os dias para saber de mim e fui muito bem tratada por todos no Hospital Santa Marcelina de Itaquera(SP) e pelo SUS, mas eu nunca tinha dormido fora de casa sozinha durante dias, nunca tinha sido internada, nunca passei por dificuldades na vida e naquela semana que fiquei internada, fui picada pelas enfermeiras com suas agulhas várias vezes para me dar medicamentos e fazer exames, que fiquei toda roxa. Não tinha forças para fazer nada, não conseguia dormir, não conseguia comer direito e nem respirar direito. Nunca chorei tanto, nunca senti tanto frio, medo, náuseas, cansaço, solidão, raiva, ansiedade e dor na minha vida e embora eu tenha sido muito bem tratada, foi a pior semana da minha vida. Eu não queria estar ali, não queria passar por aquilo, não queria ter o que eu tive e não queria passar por um possível tratamento e suas reações no futuro, tanto que no primeiro dia de internação, eu queria me jogar pela janela ( não tentei, eu só queria e dizia a todos que queria), o que gerou desavenças com minha família que não compreendia meu atual momento e minha atitude, assim como os médicos e todos achavam que era manha e exagero da minha parte.

No dia 25/07/2014 (sexta – feira), sai da UTI e fui para o quarto e no dia 26/07/2014 (sábado) de manhã, recebi a única visita do meu noivo, recebi alta e fiquei um mês em recuperação em casa, onde eu sentia dor, mal estar, não conseguia dormir, não conseguia respirar direito, não podia ficar saindo de casa e nesse período, a página e o livro Quimioterapia e Beleza me ajudou com conhecimento e força para enfrentar um futuro possível tratamento. Em setembro de 2014, durante o retorno com os meus médicos e após biópsia e exames, fui diagnosticada com sarcoma sinovial estágio I no lobo superior direito do pulmão sem metástase, que segundo os médicos é um câncer raro que normalmente surge em ossos e depois ocorre metástase em órgãos, mas no meu caso, surgiu primeiro em um órgão e como ele era estágio I e não atingiu vasos linfáticos e vasos sanguíneos, eu não precisei de quimioterapia e radioterapia, só de acompanhamento, mesmo assim, foi o segundo pior dia da minha vida e minha mãe sempre me acompanhou em tudo, mas os outros e meu pai não. E nesse dia, meu pai me acompanhou,mas saiu do consultório enquanto o médico falava e foi esperar lá fora.

De dezembro de 2014 a janeiro de 2016, trabalhei com controle de qualidade na cozinha do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas de São Paulo, que foi um lugar que sempre compreendeu e apoiou minhas idas frequentes ao médico para acompanhamento em um ano como 2015, que também foi um ano de cuidar de minha saúde, de planejar meu casamento e de muito aprendizado . Em 2016, eu casei após 5 anos de namoro e mais uma vez achei que era o momento de ser uma profissional de sucesso, mas me enganei novamente. É o momento de cuidar da minha saúde, de me adaptar a vida de casada, de estudar, de aprender a cuidar da casa e de aprender responsabilidade, organização, esforço, dedicação e agilidade.

O câncer me deu sentido na vida de uma maneira um pouco drástica, não tanto como quem faz quimioterapia por exemplo, mas mesmo assim drástica. O câncer me abriu portas, me deu coragem e poder para peitar antigas limitações e dificuldades. O câncer foi o chacoalhão que eu precisava para perceber que o meu corpo necessitava de uma pausa, de cuidados e de aprendizado. Com ele eu aprendi a agradecer mais, a me impor, a não guardar mágoas, a confiar no fluxo da vida, a perdoar, a ver o que é importante, a aprender algo com tudo que acontece na minha vida, que doenças como o câncer e tantas outras precisam ser vividas com leveza por que não há outra saída, que algumas pessoas não tem condições emocionais de lidar com os problemas lado a lado de seu ente querido por que são fracas e é o melhor que podem fazer, a brindar a vida,a me cuidar mais e a viver.

O câncer me abriu portas para novos sonhos, novos projetos e para uma nova visão de vida. As pessoas só falam em emagrecer, em ganhar músculos, mas esquecem que a nutrição pode auxiliar a medicina no tratamento de doenças e no momento de aliviar sintomas de algumas doenças; esquecem dessas pessoas que precisam de atendimento, de informações e de receitas fáceis e com ingredientes comuns com o objetivo de auxiliar no tratamento e no momento de aliviar os sintoma de suas doenças. Então, acredito que agora seja o momento de iniciar um projeto que leve tudo isso a essas pessoas e que no futuro dê muitos frutos e resultados. A minha missão  está só no começo. O diagnóstico, o tratamento, a sobrevida, as mudanças na vida, o aprendizado, os sonhos e os novos projetos são apenas o começo.

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Comentários

comentário

1 Resposta

  1. Sandra dantas

    Marina, forca, somos exemplos, que ajudam as pessoas que viram atras de nós.
    Eu fazia parte daquele grupo que acha comigo não vai acontecer eu me cuido muito. Aconteceu, fiz cirurgia, fiz radio e de agora para sempre farei controle e tomate ANASTROZOL, uma bencaoooo.
    Posso te sugerir, faça um projeto: escreva um livro, bem simples vc que já teve câncer sabe se alimentar?
    Escreva de maneira simples, já temos muito o que pensar, muitos controle sobre, muitas mudanças…… pense com carinho.
    Beijos
    Sandra Dantas

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