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Carla 2Querida Flávia, estou feliz em poder escrever minha estória, tendo em vista que teve um final super feliz. Nunca pensei em escrevê-la para vocês. Durante meu tratamento acompanhei e me espelhei muito na sua estória. Faz alguns dias que tive a oportunidade de contar minha estória a uma jornalista. Somada com o decorrer da minha recuperação.

Superação & Confiança – Atleta de muay thai conta como “nocauteou” o câncer

“A minha preocupação era dar uma força para a minha mãe”, afirma Carla, que venceu um linfoma pulmonar descoberto em maio de 2014

Tudo começou com uma tosse seguida de mal estar. Depois, vieram as crises de cansaço e náuseas. Mas para a assistente administrativa Carla Daniele Albuquerque Vieira, de 25 anos e moradora de Itaim Paulista (zona leste de São Paulo), não havia motivo para se preocupar, já que sua rotina era bastante movimentada por causa dos estudos e do trabalho. Entretanto, os sintomas persistiram, de tal modo que um dia, quando retornava do trabalho, teve uma crise de tosse que a fez expelir sangue. A partir dali, Carla percebeu que algo não estava bem com a sua saúde, e logo suspeitou de tuberculose. Ela tratou de contar para a mãe, e as duas iniciaram uma batalha para saber o que estaria prejudicando a saúde da atleta. Entre exames, consultas e internações, Carla descobriu que a suspeita de tuberculose era um linfoma pulmonar.

E contando com o apoio da família e amigos, a jovem enfrentou 12 sessões de quimioterapia e 23 de radioterapia. Sentiu na pele os efeitos colaterais do pesado tratamento, como a temível queda de cabelos. Mas Carla acreditava que tudo aquilo duraria pouco tempo, e portanto não se deixou abater, conforme ocorre com alguns pacientes de quimio. Movida pela energia e vontade de reagir a tudo o que estava vivendo, Carla viu no muay thai, a arte marcial tailandesa, o impulso necessário para se fortalecer. E seguindo os conselhos do amigo e mestre Paulo Junior, Carla passou a se dedicar aos treinos que logo ajudaram a restabelecer a sua saúde física e mental. Tanto é que, quem a conhece pela primeira vez, não acredita que há um ano, ela enfrentava uma bateria de exames e tratamentos para combater a doença. E quem ouve a sua história, passa a acreditar que é possível sim vencer o câncer por meio da superação, que se tornou uma palavra fundamental no dicionário de Carla. Confira a sua história:

O COMEÇO DA LUTA: Entre idas e vindas de hospitais e consultórios, Carla teve momentos de melhora que duraram pouco. “Aguentei trabalhar somente dois dias, e depois fiquei mal. Voltei para o hospital, onde fiquei internada quase 30 dias. Aí passei por algumas consultas com pneumologista para saber como estava a evolução do quadro porque os exames não conseguiam detectar nem pelas radiografias. Nessas consultas, o pneumologista disse que eu poderia estar com câncer, já que as duas doenças são bastante confundidas”, conta ela, mencionando que só teve problemas de bronquite na infância que foram superados.

Diante do choque e chateação, Carla disse que de imediato, pensou na mãe. E a preocupação de fortalecê-la, a encorajou a enfrentar o que viesse pela frente. “Tudo foi desenrolando muito rápido. Aí conheci um doutor lá no hospital que era cirurgião, e descobri um caroço (apontando para o pescoço), uma glândula inflamada decorrente de um linfoma ou tuberculose, o que causava um impasse. O médico me disse que eu poderia estar com 50% de chances de estar com um linfoma ou 50% com tuberculose. Segundo ele, as duas doenças eram graves, porém, o tratamento contra a tuberculose é menos agresssivo. Ele disse que se for um tumor, o tratamento é mais agressivo, mas como eu sou jovem, seria mais fácil de se recuperar”, comentou.

Diante da situação e do resultado da biópsia que confirmou o tumor de quase nove centímetros, Carla “foi pra cima” em busca da cura, e iniciou sua batalha por meio da quimio e radioterapia, cujo tratamento terminou em fevereiro do ano seguinte. “Apesar dos enjôos típicos do tratamento, até que não foi tão sofrido. Eu esperava coisa pior, mas graças a Deus superei com o apoio da minha família e amigos”, afirma.

A INFLUÊNCIA DO MUAY THAI: Antes da descoberta da doença, Carla fazia musculação, mas logo deixou de lado porque mal tinha fôlego para fazer os exercícios. “Assim que terminei o tratamento, falei para a minha mãe que queria voltar a treinar, e queria fazer muay thai porque eu vi que todo mundo fazia, e entendi que ia me fazer bem. Nunca tive vontade de lutar, mas sempre quis fazer uma atividade onde você pode descarregar a sua força. Aí fui à academia do Paulo numa segunda-feira, e me informaram que as aulas dele eram de terça e quinta. Aí no dia seguinte, fui ao treino com uma amiga só para conhecer, e o Paulo, muito receptivo, já nos convidou para participar da aula. No outro dia, fiquei toda dolorida, mas o Paulo me incentivou a continuar, e estou lá desde março de 2015”, declarou a atleta, que já conquistou a segunda graduação na luta.

“O muay thai mudou muito a minha vida, se tornou um divisor de águas: antes do muay thai e depois do muay thai. A luta mostrou a minha força, me desafiou a ser mais “piolha”, ir pra cima e mostrar que eu posso superar limites. O que manda é a nossa mente, e precisamos trabalhar ela, mostrando que você pode e consegue. Eu tinha uma vida normal, só não podia trabalhar por causa do tratamento. Depois disso, trate de aproveitar todas as oportunidades, amar as pessoas que estão ao seu redor porque sem elas, você não consegue”, destaca a aluna emocionada, agradecendo o apoio do professor Paulo que sempre a fez acreditar no seu potencial.

O DESAFIO DO MESTRE: Para o mestre Paulo, que já tem uma longa jornada na arte marcial tailandesa desde 2003, foi um desafio lidar com uma aluna que tinha acabado de superar um câncer. Quando recebe um novo aluno em sua academia, o professor não abre mão de uma boa conversa com ele para conhecê-lo melhor, e definir o seu treinamento. No caso de Carla, Paulo admite que se assustou após a conversa com ela. “Eu nunca trabalhei com um aluno que tivesse enfrentado o câncer. Os casos mais comuns eram de cirurgias ortopédicas e um que conseguiu superar uma depressão. Com a Carla, eu sabia que tinha que incentivá-la a treinar, mas precisei ter o dobro do cuidado que eu tinha com os demais, porque eu não sabia se poderia piorar o quadro dela. Mas não deixei transparecer isso, porque encarei como um desafio para mim, que era fazer com que ela gostasse da aula. Vi que ela era  capaz de chegar a lugares onde nunca imaginou que poderia estar”, comentou o professor que se intitulou como um “chato”, porque sempre se preocupou com os alunos fora da academia.

“Eu sou chato porque vejo se meus alunos estão se alimentando, se estão estudando, converso muito com eles para incentivá-los a vencer não só na arte marcial, mas na vida também. No caso da Carla, como ela já é formada, sempre a incentivo a continuar os estudos, a cuidar ainda mais do corpo e fazer com que tudo isso fizesse parte da sua vida. Carla tem a mente forte, e sempre a incentivei a cuidar do corpo para que haja uma sintonia, e eu me sinto realizado com tudo isso”, concluiu o mestre que não disfarça o orgulho de seus alunos, incluindo a própria mãe, que formam muito mais do que uma academia: uma família.

 

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