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BIOPSIA LÍQUIDA – BOAS NOVAS NO TRATAMENTO DO CÂNCER

Por estes tempos tem se falado bastante na mídia sobre a Biópsia Líquida. Então, vamos entender o que é e para que serve isto.
Biópsia é um termo utilizado para o ato de tirar um pedacinho de um órgão ou um tecido do corpo. Após essa retirada, o “pedacinho” vai para o exame anatomopatológico, ou seja, o material sofre um preparo, é colocado em uma lâmina, que é analisada no microscópio a fim de identificar células anormais, como as células do câncer. Quando células anormais são identificadas, também é necessário fazer um exame complementar chamado de imunohistoquímica. Este exame permite identificar marcadores específicos das células, que tornam preciso o diagnóstico de câncer e qual o seu tipo.
Quando falamos em câncer, além da biópsia, existem alguns marcadores tumorais, ou seja, algumas substâncias que podem ser liberadas pelas células do tumor, e caem na corrente sanguínea, mostrando indiretamente a presença ou atividade do câncer. Estes marcadores variam de acordo com cada tipo de câncer, e os mais conhecidos são o PSA (câncer de próstata), CA 125 (câncer de ovário), CA 19-9 (câncer de intestino ou do pâcreas) e HER2 (câncer de mama). Estas substâncias são importantes no seguimento do câncer, mas também podem estar alteradas em outras condições como inflamações importantes, portanto, não são específicas para o diagnóstico de câncer, como a biópsia é.
Outro método de identificar a presença de células do câncer no organismo é procurando vestígios do material genético (DNA) destas células. Estes “vestígios” podem estar circulando na corrente sanguínea e serem detectados através de  características específicas deste DNA, que são algumas mutações, cada uma presente em um tipo de tumor. Essa pesquisa das mutações na corrente sanguínea, é o que chamamos carinhosamente de Biópsia Líquida.
Atualmente a Biópsia Líquida não é utilizada para fazer o diagnóstico do câncer. Para isto ainda é necessário fazer uma biópsia convencional, ou seja, tirar um pedacinho do local suspeito, e fazer os exames anatomopatológico e imunohistoquímico.
Mas a Biópsia Líquida já está em uso como marcador tumoral para alguns tipos de câncer. Isso se faz através da pesquisa da mutação em uma amostra de sangue do paciente e essa pesquisa é utilizada para acompanhar a resposta ao tratamento e decidir se é necessário trocar o tipo de medicações que estão sendo utilizadas e também para detectar precocemente se o câncer voltou e precisa ser tratado novamente.
No Brasil temos disponível a pesquisa do gene EGFR, específico para câncer de pulmão.
Atenção, a Biópsia Líquida é utilizada para avaliar alterações do DNA presentes nas células cancerígenas. Isso é diferente da pesquisa de mutações do DNA presentes nas células do indivíduo, que sugerem maior predisposição da  pessoa ou de seus familiares a desenvolver câncer, como no caso das mutações BRCA 1 e 2 para câncer de mama e ovário. Nestes casos avalia-se um risco e a pessoa pode ou não desenvolver câncer, enquanto na Biópsia Líquida avalia-se uma mutação de um câncer que já está presente!
Em breve, com os avanços da tecnologia aplicada à saúde, é possível que a biópsia líquida seja utilizada como marcador de resposta ao tratamento de diversos tipos de câncer, e, quem sabe, em substituição a biópsia convencional para o diagnóstico.

Um abraço e até breve,
Dra Regina Fumanti Chamon
CRM 120.010/SP
www.doutorasanguebom.wordpress.com

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