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O ano ainda não acabou mas para mim é o fim de um ciclo. Os últimos meses foram os mais felizes e desafiadores da minha vida. Me chamo Angela, tenho 36 anos e sou mãe da Estela, que nasceu em julho de 2015. A maternidade tem sido uma experiência incrível e transformadora, uma fase de descobertas e uma oportunidade de ressignificar nossas experiências e redefinir prioridades.

Foram meses tão felizes que é até difícil imaginar como eles poderiam ter sido melhores, mas certamente poderiam. Em outubro de 2015, três meses após o nascimento da minha filha senti um nódulo em meu seio esquerdo que simplesmente surgiu de um dia para outro. A partir disso foram dois meses de consultas e diversos exames inconclusivos, até que no dia 5 de janeiro recebi o resultado da biópsia que apontava carcinoma ductal invasivo, triplo negativo, que havia atingido também os linfonodos. Um tumor bastante agressivo, típico do período gestacional.

De lá para cá foram exames e consultas sem fim, uma suspeita de tumor maligno no pulmão, uma cirurgia no pulmão que revelou uma tuberculose que tive que tratar por seis meses, oito sessões de quimioterapias, uma cirurgia para remoção da mama e esvaziamento axilar e 25 sessões de radioterapia. O tratamento do câncer é longo e árduo, mas mais duro que o tratamento foi precisar parar de amamentar minha filha que só tinha seis meses, foi pensar que poderia não ver ela crescer, foi me deparar com a total falta de controle sobre a situação e pensar em quanto tempo a gente perde com coisas absolutamente irrelevantes.

Mas até o câncer pode ter um lado bom. Acho que quem passa por situações extremas como essa consegue dar mais valor à vida, e isso é uma dádiva. Escolhemos melhor em que investir nosso tempo e com quem, valorizamos mais a família, os amigos e os momentos e também descobrimos que somos mais fortes do que imaginávamos.

Agora começa uma nova fase de acompanhamento e reconstrução. Claro que se eu pudesse escolher preferiria não ter passado por isso… mas como diz Guimarães Rosa “O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”.

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