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Olá, Cats!

20160609_1013031Meu nome é Alexsandra Bonato Cambruzzi, moro em Chopinzinho, no Paraná. Sou casada há 20 anos com o Reginaldo e não temos filhos; temos um gato e um cachorro.

No final de 2015, fiz uma consulta com minha ginecologista e como havia recém completado 40 anos, ela solicitou uma mamografia. Eu sempre procurei levar uma vida saudável; não tinha vícios, visitava periodicamente o médico porque tenho Síndrome do Ovário Policístico, então estava sempre monitorando; sempre fiz autoexame e não sentia nada diferente em meu corpo, nunca tive casos de câncer na família… era pra ser “apenas” mais um exame de rotina.

Fiz a mamografia no final de dezembro, numa segunda-feira; durante asemana, ligaram pedindo que eu repetisse o exame… eu fui, muito tranquila. Quando recebi o laudo e vi “BIRADS 4”, fiquei curiosa e fui pesquisar na internet; vi que poderia não ser nada, assim como poderia ser tudo! Conversei com meu marido, ele me tranquilizou dizendo que independente do que fosse, ele estaria sempre do meu lado. No dia da consulta, 14 de janeiro, a médica explicou, que havia sim a possibilidade de ser um câncer de mama e que iria me encaminhar para um mastologista – ela foi extremamente cuidadosa e lembro-me de comentarmos que, se fosse realmente câncer, há tratamento e chances de cura! Eu não chorei ou fiquei triste… só ansiosa! Queria dar o próximo passo logo!

Na semana seguinte já estávamos lá, no mastologista. Ele observou a mamografia, me examinou e explicou que, pelo formato das microcalcificações, havia muita chance de ser carcinoma (câncer). Fomos para a biópsia que foi inconclusiva… conversamos então sobre a cirurgia para retirar uma parte do seio, a quadrantectomia. No dia 05 de fevereiro, a cirurgia foi feita e o diagnóstico foi confirmado: Carcinoma Ductal Invasivo; foi realizado esvaziamento axilar porque já havia comprometimento dos linfonodos. Quando acordei da cirurgia, meu marido estava lá e com todo jeito me contou; mas era como se, de alguma forma , eu já soubesse.

Recuperei-me muito bem da cirurgia, o mais difícil foi dormir de barriga pra cima por três meses (kkkkk)! Meu marido cuidou de mim – até me deu banho! Recebi muitas visitas de familiares e amigos…

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Assim, eu ia me recuperando da cirurgia e fui encaminhada para um oncologista que, junto com o “masto”, passaram o meu plano de tratamento: 8 sessões de quimioterapia; 30 sessões de radioterapia; 17 doses de Trastuzumabe/Herceptin e Tamoxifeno por 10 anos. Eu, que nunca havia ficado doente, de repente estava numa maratona de exames, consultas e medicamentos. Foi aí que eu resolvi “soltar o controle” e permitir que cuidassem de mim. O apoio da família, amigos e a competência e delicadeza dos profissionais que me atenderam foi fundamental, me senti muito segura. E assim, eu acolhi o câncer… não lutei contra ele! Ele apareceu por algum motivo, então que me ensine o que devo aprender.

Em março iniciei as sessões de quimio; não posso dizer que foi fácil, porque realmente não foi! Mas já passou e eu estou bem! Ah… meus cabelos se foram e, com eles, sobrancelhas, cílios, acabei raspando a cabeça e meu marido fez o mesmo; éramos um casal de carequinhas … e veio uma parte desta história que, pra mim, foi tensa: o olhar das pessoas! No início, eu ficava extremamente incomodada, depois de um tempo também me acostumei. Pensei em usar peruca… mas desisti e adotei os lenços. Hoje tenho vários e até desenvolvi umas técnicas de amarração. Eu sempre tive cabelos compridos e, de certa forma, raspar a cabeça foi uma experiência muito especial – desapego. Eu me redescobri e me achei bonita e forte! É uma sensação de liberdade e uma marca… todos, ao olharem pra mim, saberiam do câncer. Mas depois de um tempo, eu já nem ligava mais para os olhares… como diria Clarice Lispector: “Ese me achar esquisita, respeite também; até eu fui obrigada a me respeitar”.

Reconstruí minha autoimagem e recuperei a autoestima! Eu me redescobri e me amei (e amo) de qualquer jeito! É a essência que conta! No momento, finalizei as sessões de radioterapia e continuo confiante. E cada fase é uma vitória… O próximo passo serão as aplicações de Trastuzumabe/Herceptin.

A minha vida segue… eu estou afastada do trabalho, mas leio muito, escrevo, faço minhas artes, cuido dos meus bichinhos (e eles cuidam de mim)… Eu sou adepta das terapias holísticas, então, faço acupuntura (sem agulha), tomo florais, medito faço yoga, recebo reiki de um grupo de amigas amadas… e isso me faz muito, muito bem! Todos os dias recebo mensagens de carinho! E a energia maravilhosa das orações que fazem pra mim, chega e me enche de alegria, força e esperança! Fiz amizades incríveis com pessoas de perto e de longe, que passaram ou estão passando por uma situação muito parecida com a minha. E “saí da toca”… uso as redes sociais para contar essa parte da minha história. Em outubro, participei da campanha: Doando Lenços, Criando Laços, Tocando Vidas (Fundação Sudoestina de Combate ao Câncer), também conversei com grupos de mulheres, dei meu depoimento para rádio local, participei de um desfile em um evento de beleza e todas essas experiências me fizeram muito bem! Se a minha história servir para que uma pessoa busque mais informações ou faça seus exames, já valeu!

img_80691Quando eu soube do câncer, busquei muito ver e ler histórias de outras pessoas, para me sentir pertencente a um grupo, para saber como era… descobri que há muita dor e também há muita vida, amor, apoio, superação – resolvi que na minha história, eu irei escolher a vida, a superação, o amor! Espero que dê certo! (já está dando!).

Sou muito grata ao Quimioterapia e Beleza que foi uma das minhas fontes de informação e apoio!

Eu tenho fé, muita fé e confiança em Deus: entrego e confio! Nossa vida é um milagre diário e eu estou aprendendo a ver o mundo com olhos mais atentos, mais pacientes.

Sempre em frente! Beijos…

Ale

 

 

 

 

 

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