Home > as cats > ADRIANA DELGADO

Meu nome é Adriana Delgado, tenho 48 anos, moro em Maricá/RJ, sou casada a 21 com o Sergio e tenho 2 filhos, Julia de 20 anos e Gabriel de 17.

2010 foi um ano muito especial para mim. Aos 43 anos de idade me formava na faculdade de administração, comemorava a conquista de uma vaga para uma pós graduação em uma universidade federal e cantava parabéns para os 15 anos da minha filha do jeito que sonhamos.

O fato de eu ter perdido quase 20 kg em 1 ano, estar menstruando a maior parte do mês e com um fluxo muito elevado não me continham a atenção, pois era um ano “de estresse” e como eu estava com o preventivo em dia não me preocupei.

Minha ginecologista havia saído do meu plano de saúde e acabei procurando um outro profissional da área para fazer meu preventivo anual e foi quando meu mundo começou a cair.

Contei minha história ao médico que ao me examinar foi bem grosseiro, dizendo que ele estaria pedindo alguns exames, mas que certamente eu estava “com aquela doença ruim”.

A principio, minha vontade foi de agarrar no pescoço dele e fazê-lo entender um pouco de “atendimento humanizado”, mas meu marido me trouxe a realidade e logo fui buscar outro médico que diante dos meus exames constatou que eu estava com câncer de colo de útero, um carcinoma. Meu mundo desabou.

Levei um dia chorando, me lamentando, pensando o que seria da vida dos meu filhos ainda tão necessitados de mim, pensando em mim que ainda precisava tanto da vida!

Esse dia se arrastou, não quis falar com ninguém, fiz meu marido me prometer coisas absurdas! (Coitado! Rs) E cometi o erro número 1 de quem tem algum problema sério: Fui para a internet “me consultar” com o Dr Google! Obviamente só encontrei desgraças! Filhas chorando a perda das suas mães, mulher falando de tratamentos sem solução, metástases até na alma e eu, em choque!

Esse momento-sofrimento entrou noite a dentro e, como eu não queria escutar ninguém, fui me intoxicando com aquelas histórias escabrosas até me encontrar em um texto do Chico Xavier, hoje bem comum, onde ele fala que carregava consigo a certeza de que “Tudo passa, nada é por acaso”, pois a vida é feito de momentos, momentos bons, que passam e momentos ruins que também passam. Parece que virou uma chave dentro de mim e já amanhecendo, algo aqui dentro se transformou em foco, força e fé.

Alguns meses depois fiz a cirurgia, retirei útero, ovários, trompas e 1/3 do canal vaginal. Não fiz radio, nem quimio. Passei um ano controlando de 3/3 meses, depois de 6/6 até janeiro de 2014 quando meu médico me deu alta dizendo que eu estava curada. Não tenho palavras para expressar tamanha foi minha felicidade. Enfim! Livre!!! Mas, não …

No final de 2014, mais ou menos outubro, comecei a sentir muitas dores nas costas. Como tudo passa mesmo, a gente esquece que estresse, excesso de trabalho e blá blá blá NÃO É DESCULPA para não ouvir o nosso corpo e, assim, mais uma vez coloquei na conta do dia a dia as dores que vinha sentindo até não mais aquentar!

Fui ao pronto socorro de tanta dor e o diagnostico era “calculo renal”. Procurei o urologista, não eram os cálculos a provocar aquela dor, me encaminhou para um ortopedista que disse que era “vértebra comprimida”. A dor não passava com nada! Fui a outro ortopedista que disse que era o “ciático” , fui a outro que disse que era “fibromialgia”, e a outro, que diante do meu desespero de dor , me mandou procurar um oncologista e lá estava ele, um tumor metastático de 5 cm na pleura, comprimindo meu 8º arco costal.

Bom, para começar, pior do que a palavra “câncer” só “metástase”. Fato. Se câncer já tem a conotação de “doença ruim”, metástase é igual a “já morreu”, daí imagina-se o que é a fase 2 de um jogo de terror! Bem ruim mesmo!!

Obviamente me revoltei. Mas, dessa vez não havia uma “pena de mim mesma”, era raiva, rancor, tipo, “eu já passei por isso, já cumpri a minha parte dessa m***!!!” Durou um pouco mais que um dia, mas quando comecei as sessões de radio e a dor foi passando, foi passando junto a raiva, o rancor, e ali foi brotando novamente o foco, a força e principalmente a fé.

Comecei em agosto/2015 as sessões de quimioterapia, hoje já estou na 11ª sessão. Ainda faltam 6 e meu corpo já começou a sentir o duro tratamento, mas os resultados tem sido muito bons!!

Sinto falta de relatos sobre metástases, pois realmente parece que é o fim da linha e não é! Ao longo desse quase um ano já encontrei com gente que curou a metástase e continua na luta com o primário, conheci gente que curou os dois, conheci gente que vem tratando já a muitos anos o primário e “seus filhotes”, assim como conheci gente que lutou e não conseguiu vencer nem o primário. Tem gente para tudo e penso que temos que falar também sobre tudo e por isso agradeço a essa página que encontrei no meu momento “Dr Google” e vem me ajudando a esclarecer várias coisas da doença e do tratamento.

Espero, sinceramente, que a minha história possa ajudar a alguém como tantas outras vêm me ajudando!

Meninas! Dias melhores para SEMPRE!!

Comentários

comentário

Deixe um comentário